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Quanto custa o visto americano em 2026, e quando você precisa pedir

August 24, 2026 · 11 min read

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Ilustração editorial em tons de azul acinzentado e terracota: passaporte aberto, cartão de embarque dobrado e três pilhas de moedas sobre um balcão de saguão de aeroporto, com viajantes sem rosto na fila sob janelas altas ao fundo.

Uma família de quatro pessoas em São Paulo gasta R$ 8.983 só em papelada antes de comprar a primeira passagem para Miami. No mesmo voo, um primo com passaporte português paga R$ 208 e resolve tudo pela internet em quinze minutos. Mesma viagem, mesmo hotel, as mesmas duas semanas. A diferença é o passaporte.

Três cobranças mudaram no último ano. Uma quarta coisa, justamente a que mais aparece em grupo de WhatsApp, não aconteceu. Quase toda página sobre o assunto mistura as duas, e é por isso que tanta gente chega no site do consulado sem saber o que deve. Aqui vai a separação, com data em cada linha. Os valores em real usam o PTAX de venda do Banco Central de 21/08/2026, US$ 1 = R$ 5,1625, último dia útil com cotação fechada antes desta publicação.

O que você paga hoje para entrar nos Estados Unidos

CobrançaQuem pagaValorEm vigor desde
Taxa MRV do B1/B2qualquer brasileiro que peça visto de turismo ou negóciosUS$ 185, R$ 955, não reembolsávelmaio de 2023, sem mudança
Taxa de integridade do vistoquem tem visto não imigrante emitidoUS$ 250, R$ 1.291, na emissãoprevista em lei para o ano fiscal de 2025, cobrança ainda desigual entre postos
Taxa de reciprocidade do B1/B2 para brasileironinguémUS$ 0tabela de reciprocidade do Brasil
Entrevista B1/B2 acelerada, opcional, em postos selecionadosquem escolher pagarUS$ 750, R$ 3.87201/07/2026, piloto até 31/12/2026
ESTAsó quem tem passaporte de país do Visa Waiver ProgramUS$ 40,27, R$ 208US$ 40 desde 30/09/2025, US$ 40,27 desde 01/01/2026
I-94 em fronteira terrestrequem entra por terra e solicita o documentoUS$ 30, R$ 15530/09/2025

A MRV é a parte que dói, e é a que tem mais regra escondida. Ela é não reembolsável e não transferível, vale 365 dias a partir da compra, serve para um pedido só e não atravessa fronteira: pagou no Brasil, não aproveita esse pagamento para marcar entrevista em Portugal. Visto negado quer dizer pagar tudo de novo. No Brasil o pagamento sai por cartão de crédito, boleto ou Pix, o que ao menos tira o problema do câmbio do cartão internacional.

O ESTA está na tabela por um motivo só: brasileiro não usa. O consulado é direto ao dizer que todo brasileiro precisa de visto para viajar aos Estados Unidos, inclusive quem apenas faz conexão internacional em aeroporto americano. Escala em Miami a caminho da Cidade do México conta.

O mesmo passeio, três passaportes

Ilustração plana com um passaporte, um cartão de embarque dobrado e algumas moedas empilhadas, vistos de cima.

Pegue uma viagem de duas semanas em dezembro e some apenas o custo do papel.

Você, com passaporte brasileiro, paga US$ 185 para pedir e US$ 250 na emissão. São US$ 435, R$ 2.246, por pessoa, antes de olhar preço de passagem, mais o deslocamento até a cidade do consulado e um dia perdido. Para os quatro da família de São Paulo, R$ 8.983.

Você, com o passaporte italiano ou português que muita família brasileira tirou nos últimos anos, paga US$ 40,27 e pronto. O próprio consulado confirma que quem tem dupla nacionalidade de país do programa pode entrar sem visto usando aquele passaporte, desde que viaje com ele de forma consistente. Vinte vezes mais barato pelo mesmo feriado.

Um nigeriano no mesmo voo paga os mesmos US$ 435 e, se o oficial consular determinar, ainda deposita uma caução de US$ 5.000, US$ 10.000 ou US$ 15.000. A Nigéria está entre os 50 países do piloto de caução, lista que o Departamento de Estado atualizou pela última vez em 13/05/2026. Brasil não está nela.

Tem um detalhe da tabela de reciprocidade do Brasil que quase ninguém usa a favor: o B1/B2 brasileiro sai com 120 meses de validade, entradas múltiplas e reciprocidade zero. Dez anos. Quem vai aos Estados Unidos a cada dois anos transforma R$ 2.246 em cerca de R$ 450 por viagem. Quem foi uma vez e nunca mais pagou R$ 2.246 por duas semanas.

Os R$ 1.291 que quase toda cobertura chama de reembolsável

Aqui vai uma posição, e dá para discordar dela: trate a taxa de integridade como dinheiro gasto, não como dinheiro guardado.

A lei que criou a cobrança, a seção 100007 da HR-1, hoje 8 USC 1806, diz que o Secretário de Segurança Interna "may provide a reimbursement". Pode, não deve. A taxa não admite isenção nem redução. E o reembolso só passa a ser possível depois que a validade do próprio visto expira. Para o B1/B2 brasileiro, aquela validade é de 120 meses. Dez anos até a porta do reembolso abrir, e ainda assim só para quem cumpriu todas as condições e saiu dos Estados Unidos em até cinco dias do fim daquele prazo, ou conseguiu extensão ou green card.

Falta a máquina que faria isso funcionar. Em 24/08/2026 não há regulamentação do Departamento de Estado sobre a taxa publicada no Federal Register, e a página oficial de taxas consulares não traz linha alguma para ela: na cópia arquivada de 09/07/2026 a palavra "integrity" não aparece uma única vez. A Alliance for International Exchange registrou em setembro de 2025 que oficiais consulares seniores não tinham recebido orientação do DHS, e que o Congressional Budget Office esperava anos até a implementação. Em alguns postos o solicitante está sendo cobrado. Em outros, não.

Reembolso que depende de decisão discricionária, de uma década de espera e de um sistema que ninguém construiu não é caução. Orce R$ 2.246 por pessoa e trate qualquer devolução como surpresa.

A fila nos cinco postos, e por que ela é a parte volátil

Saguão de desembarque estilizado com balcão comprido, fila em zigue-zague e relógio sem números.

A outra metade do custo é tempo, e essa parte surpreende. São os números do próprio Departamento de Estado, na tabela Global Visa Wait Times, na cópia capturada em 09/07/2026 e carimbada na página como "Last updated: 18-JUN-2026". É uma foto publicada, não um número ao vivo: o Departamento atualiza a tabela mensalmente e os postos liberam vagas novas o tempo todo.

PostoPróxima entrevista B1/B2 disponívelEspera média no mês anterior
Recifemenos de 0,5 mêsnão informada
Rio de Janeiro1 mêsnão informada
Porto Alegre1 mêsnão informada
São Paulo2 mesesnão informada
Brasília2,5 mesesnão informada

A coluna de média está vazia de propósito. O Departamento de Estado só publica a média quando a próxima entrevista está a mais de três meses, e nenhum posto no Brasil chegou lá naquela leitura. Para comparar, na mesma tabela Toronto aparecia com 21,5 meses e Bogotá com 9 meses. O Brasil, naquele julho, estava no grupo rápido.

Isso inverte a manchete de sempre. Para o brasileiro, o custo fixo é o dinheiro, e a fila é a variável que pode virar sem aviso. Ninguém em Brasília em 2022 diria que a espera cairia para dois meses e meio. Antes de comprar passagem, abra a tabela e olhe o seu posto, não o post de um ano atrás.

Trabalhando de trás para frente a partir das férias

Duas barras de alturas bem diferentes ao lado de um passaporte pequeno, em desenho simples.

Se a fila é o que decide, a data de pedir é o prazo de verdade. Usando a leitura de 09/07/2026 e somando cerca de três semanas para o passaporte voltar pelo Applicant Service Center, que é como o visto é entregue no Brasil e para o qual o consulado não publica prazo garantido, dá para trabalhar de trás para frente a partir das janelas em que o brasileiro realmente viaja.

SaídaPagar a MRV até, em BrasíliaSão PauloRio e Porto AlegreRecife
20/12/2026, férias de verão e Réveillon14/09/202630/09/202630/10/202614/11/2026
05/02/2027, viagem de Carnaval, feriado em 08 e 09/0231/10/202616/11/202616/12/202631/12/2026
03/07/2027, férias de julho28/03/202713/04/202713/05/202728/05/2027

Essas datas são o cenário calmo, com a fila do meio do ano. Processamento administrativo, aquele bilhete azul do 221(g), não tem teto publicado e pode acrescentar semanas ou meses. Se a viagem tem data fixa, casamento, formatura, Disney com criança em idade escolar, empurre tudo mais um mês para trás.

Antes de qualquer conta dessas, cheque uma coisa que muda o jogo inteiro: a renovação sem entrevista. Se você é brasileiro ou residente permanente aplicando no Brasil, tinha 18 anos ou mais quando o visto anterior foi emitido, esse visto saiu com validade cheia, está valendo ou venceu há menos de doze meses, nunca teve visto negado e não tem inelegibilidade aparente, dá para entregar os documentos no Applicant Service Center em Brasília, Rio ou São Paulo, ou no Document Service Center em Porto Alegre e Recife, sem sentar na frente de um cônsul. Isso derruba a maior parte do calendário acima. O consulado avisa que mesmo quem se enquadra ainda pode ser chamado para entrevista.

Sobre pressa paga, vale separar duas coisas que costumam ser confundidas. O adiantamento de US$ 750, criado em regra de 09/06/2026 e válido até 31/12/2026, existe em postos selecionados e a própria regra o justifica pelos postos que passam de doze meses de espera, o que não descrevia nenhum posto brasileiro em julho. Ele compra um horário em até dez dias úteis e nada além disso: não acelera a análise, não pula processamento administrativo e não promete visto. Perdeu ou cancelou o horário, perdeu os US$ 750. O caminho de urgência publicado para o Brasil é outro, gratuito e discricionário, para morte de parente próximo, doença grave ou tratamento médico urgente nos Estados Unidos, e se pede marcando primeiro a data normal e depois solicitando o expedite pela conta.

Quem está montando roteiro multi-cidade que pode precisar mudar de rota no meio encontra a mesma lógica no nosso guia sobre planejar viagem em volta da Copa de 2026. E se o próximo destino for a Europa, onde brasileiro entra sem visto, as regras de fronteira do bloco correm em calendário próprio, com a mesma distância entre o que já vale e o que só foi anunciado.

Proposto, e ainda não virou regra

Se você chegou aqui querendo saber se vai ter que entregar cinco anos de redes sociais, a resposta em 24/08/2026 é não.

O CBP colocou essa exigência em um aviso do Federal Register de 10/12/2025, junto com telefones usados nos últimos cinco anos, e-mails de dez anos, endereços de IP, metadados de foto, nomes, datas e locais de nascimento de familiares e coleta biométrica. O mesmo aviso propõe aposentar o site do ESTA e deixar o aplicativo como único caminho. As contribuições públicas fecharam em 09/02/2026. Desde então nenhum aviso de seguimento foi publicado, e nada disso é coletado hoje. Um item já foi aprovado por via emergencial: uma selfie ao lado da página de foto do passaporte, inclusive quando quem preenche é agente de viagem ou parente.

Aqui cabe uma distinção que vale para o Brasil e que muita gente atropela. O consulado já instrui, hoje, solicitantes de algumas categorias a deixar as redes sociais em modo público para a checagem: A-3, C-3 de trabalhador doméstico, G-5, H1-B, H-3, H-4, F, M, J, K-1, K-2, K-3, Q, R-1, R-2, S, T e U. Estudante, intercambista e trabalhador entram nessa lista. O B1/B2 de turismo não entra. O serviço de agendamento no Brasil publicou em 25/03/2026 um aviso sobre ampliação das categorias sujeitas à checagem de presença online, então essa lista é das que mudam, e vale reler antes de aplicar.

Proposta vira regra no ritmo dela, e essa pode muito bem chegar. Enquanto nenhum aviso disser o contrário, não preencha campo que o formulário não pediu.

Taxa muda e câmbio muda mais ainda. Esta página reflete o Federal Register, o travel.state.gov e o serviço de agendamento do Brasil em 24/08/2026, e a cotação do dia 21/08/2026. O ESTA e o EVUS ainda são corrigidos pela inflação a cada ano fiscal, então espere os centavos mexerem de novo em 01/01. E depois que o papel estiver pago, o próximo gasto evitável costuma ser a conta do celular, que a gente destrinchou em roaming, eSIM e a conta que chega depois.

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