Lisbon, Portugal
miradouros, pastéis, fado, azulejos
Belém, Lisbon
Belém fica a oeste do centro, na beira do Tejo, e concentra o que Lisboa construiu com o dinheiro das navegações. A manhã é de pastel quente e pedra branca esculpida no mosteiro. A tarde desce pela margem até a Torre de Belém, com parada no Padrão dos Descobrimentos. À noite você troca de bairro e termina num terraço debaixo da ponte 25 de Abril, com o Cristo Rei do outro lado da água. As distâncias são curtas e quase tudo acontece ao ar livre.
Compre online o ingresso com hora marcada para o claustro dos Jerónimos. A fila da bilheteria é a maior do bairro e some quando você chega com o código no celular. A igreja tem entrada separada e gratuita, aproveite. Em julho o sol bate forte na margem e não há sombra entre o Padrão e a torre, então leve chapéu, protetor e água. O calçamento português é bonito e escorrega, tênis resolve. Para o jantar, reserve com antecedência e peça mesa virada para o rio no horário do pôr do sol.
Do centro, o bondinho 15E sai da Praça da Figueira e do Cais do Sodré e chega a Belém em cerca de 25 minutos. Os trens da linha de Cascais também param na estação de Belém. Dentro do bairro se anda a pé. Da pastelaria ao mosteiro são dois minutos, e do Padrão até a Torre de Belém uns 15 minutos pela margem. Para o jantar no LX Factory, o mesmo 15E no sentido do centro deixa você em Alcântara, uns 10 minutos depois.
Na pastelaria, a fila da porta é só para viagem. Quem vai comer ali entra e senta nos salões dos fundos, que são grandes e giram rápido. Canela e açúcar vêm em saquinhos à parte, o costume é polvilhar na hora. Em Portugal o almoço acontece entre 13h e 14h30 e o jantar raramente começa antes das 20h, então a fome bate fora de hora nos primeiros dias. O pão e as azeitonas que chegam à mesa sem pedido são o couvert e vêm na conta, recusar é normal e ninguém se ofende. Gorjeta não é obrigatória, arredondar a conta basta.
Pastéis de Belém
Pastelaria histórica de Belém, a poucos passos do Mosteiro dos Jerónimos, famosa pelos pastéis de nata servidos mornos.
Jerónimos Monastery
Mosteiro manuelino enorme na beira do Tejo, com um claustro de dois andares em pedra rendilhada.
Nunes Real Marisqueira
Casa de mariscos tradicional em Belém, especializada em arroz de marisco, peixe grelhado e crustáceos vendidos ao peso.
Padrão dos Descobrimentos
Monumento de concreto de 52 metros na beira do Tejo, em forma de proa de caravela, com figuras da expansão marítima portuguesa.
Belém Tower
Fortaleza manuelina do século XVI na margem do Tejo, construída para defender a entrada de Lisboa.
Rio Maravilha (LX Factory)
Restaurante e bar no topo do LX Factory, em Alcântara, com terraço voltado para o Tejo, a ponte 25 de Abril e o Cristo Rei.
Alfama, Lisbon
Alfama é o bairro que o terremoto de 1755 poupou, um emaranhado de becos, escadinhas e roupa no varal que sobe até o castelo. O dia começa devagar perto da Sé, sobe cedo ao Castelo de São Jorge enquanto o ar ainda está fresco e almoça numa tasca de família com porções absurdas. A tarde fica entre dois miradouros vizinhos, com a cúpula do Panteão Nacional no horizonte. Depois que escurece o bairro muda de tom e o fado toma conta das salas pequenas.
Compre o ingresso do castelo online e escolha o primeiro horário, a vista fica mais limpa antes de o calor levantar bruma sobre o rio. Leve tênis com sola boa, Alfama é toda pedra polida em declive. Uma peça leve de manga comprida ajuda à noite, porque no alto venta. A tasca do almoço tem poucas mesas, e chegar ao meio-dia evita a fila da calçada. Para o fado, reserve com dias de antecedência e pergunte se há consumo mínimo. Leve algum dinheiro em espécie, as casas menores ainda preferem.
Da Baixa até a Sé, o bondinho 12E ou o 28E resolvem a primeira subida, e o ônibus 737, que sai da Praça da Figueira, para praticamente no portão do castelo. Do castelo até a tasca é descida a pé, uns 10 minutos de escadinhas. Entre o Miradouro das Portas do Sol e o de Santa Luzia são dois minutos de calçada plana. Para o jantar, desça pelas escadas que saem das Portas do Sol e entram no miolo do bairro. Descer é fácil aqui, subir é que cansa, então deixe as subidas para o começo do dia.
Fado é feito para ser ouvido em silêncio. Quando as luzes baixam, a sala inteira para. Conversa, celular na mão ou foto com flash são levados a mal. Aplauda no fim de cada música, nunca no meio. O acompanhamento é de guitarra portuguesa, aquela de doze cordas e formato de pera, com uma viola marcando o baixo. Alfama vive disso desde o século XIX, e o Museu do Fado, no Largo do Chafariz de Dentro, conta essa história em uma hora. Quem passa pelo bairro em junho pega o cheiro de sardinha assada na rua, das festas de Santo António, o santo da cidade.
Pois Café
Café de estilo despojado numa antiga loja perto da Sé de Lisboa, conhecido pelos sofás, pelas mesas comunitárias e pelo brunch.
São Jorge Castle
Fortaleza no ponto mais alto de Lisboa, com muralhas para caminhar, jardins e vista aberta sobre a cidade e o Tejo.
Ti-Natércia
Tasca familiar de poucas mesas em Alfama, com comida caseira portuguesa e a dona atendendo pessoalmente.
Miradouro das Portas do Sol
Miradouro sobre Alfama, com vista dos telhados do bairro até o rio e a cúpula do Panteão Nacional.
Miradouro de Santa Luzia
Terraço com pérgula e painéis de azulejo ao lado da Igreja de Santa Luzia, olhando para os telhados de Alfama e para o Tejo.
Fado dinner in Alfama
Jantar com fado ao vivo numa casa pequena de Alfama, com o cantor acompanhado por guitarra portuguesa e viola.
Chiado, Lisbon
O Chiado é a parte elegante do centro, com café de mármore, livrarias antigas e ruas quase planas. Poucos metros acima começa o Bairro Alto, de ladeira torta, azulejo lascado e grafite. O dia liga os dois com um passeio no bondinho 28, uma ruína gótica sem teto parada no meio do largo, um almoço de balcão em balcão no Cais do Sodré e o pôr do sol num jardim suspenso.
Em Portugal o café no balcão custa bem menos do que na mesa da calçada, e nos cafés antigos a diferença chega a triplicar. Se for só tomar a bica, fique em pé. Para o bondinho, carregue um cartão Navegante antes, porque o bilhete comprado com o motorista sai quase três vezes mais caro. Lá dentro, mochila na frente do corpo e celular guardado, é a linha com mais batedores de carteira da cidade. O Time Out Market lota entre 12h30 e 15h. E reserve o jantar, o Chiado enche na sexta e no sábado.
Tudo aqui se faz a pé, com subidas curtas. Do café na Rua Garrett até o ponto do bondinho são três minutos. Do Largo do Carmo você chega ao topo do Elevador de Santa Justa sem enfrentar a fila que se forma lá embaixo, e a descida pelo elevador deixa você na Baixa. Para o miradouro no fim da tarde, o Elevador da Glória sobe do Restauradores em três minutos e poupa uma ladeira dura. Do miradouro até o jantar são cinco minutos de descida.
O Bairro Alto funciona em dois turnos. Os restaurantes abrem por volta das 19h e, depois das 22h, as ruas viram bar aberto, com gente bebendo na calçada. A partir da meia-noite a música baixa por causa dos moradores, que ainda vivem ali, então vale controlar o volume da conversa. No Chiado, a estátua de Fernando Pessoa na calçada da Brasileira tem fila para foto o dia inteiro. Ele é o escritor mais lido de Portugal e publicou sob dezenas de identidades inventadas, cada uma com biografia, estilo e opiniões próprias.
A Brasileira
Café histórico do Chiado, aberto em 1905, com salão comprido de madeira e espelhos e mesas na calçada da Rua Garrett.
Tram 28 ride
Linha histórica de bondinho que atravessa Lisboa da Graça a Campo de Ourique, subindo e descendo as colinas do centro.
Convento do Carmo
Ruína de uma igreja gótica do século XIV, com a nave aberta para o céu, que hoje abriga o Museu Arqueológico do Carmo.
Time Out Market
Salão de comida com dezenas de balcões de chefs e restaurantes de Lisboa, dentro do antigo Mercado da Ribeira, no Cais do Sodré.
Miradouro de São Pedro de Alcântara
Miradouro ajardinado em dois patamares no alto do Bairro Alto, olhando por cima da Baixa até o Castelo de São Jorge.
Bairro do Avillez
Casa do chef José Avillez no Chiado, dividida entre uma taberna informal na frente e um pátio coberto com serviço de restaurante nos fundos.
Sintra
Sintra fica a 40 minutos de trem de Lisboa e o clima muda no caminho. A serra segura a umidade do Atlântico, então costuma estar mais fria e mais fechada do que a cidade, mesmo em julho. O dia sobe primeiro ao Palácio da Pena, atravessa as muralhas do Castelo dos Mouros, almoça na vila e termina na Quinta da Regaleira, descendo o poço em espiral e saindo pelos túneis. Antes do trem de volta, um jantar tranquilo a poucos passos da estação.
Compre os ingressos da Pena e do Castelo dos Mouros online, de preferência em conjunto, e escolha o primeiro horário da Pena. Depois das 11h a fila dos interiores fica longa e a serra enche de ônibus de excursão. Leve um casaco leve mesmo que Lisboa esteja com 30 graus. Tênis com boa aderência é o item mais importante do dia, entre muralha irregular e pedra molhada na Regaleira. Água e um lanche ajudam, porque os pontos de comida no alto são poucos e caros. E guarde espaço para os travesseiros, o folhado com creme de amêndoa que a vila faz há mais de um século.
O trem sai da Estação do Rossio a cada 20 minutos. Já em Sintra, o ônibus 434 faz um circuito de sentido único entre a estação, o centro histórico, o Castelo dos Mouros e a Pena, e não volta pelo mesmo caminho, então não conte com ele para descer no meio do trajeto. Da Pena até as muralhas mouras dá para ir a pé em cerca de 15 minutos, tudo em descida. Da vila até a Quinta da Regaleira são uns 10 minutos de caminhada pela estrada, ou o ônibus 435. Do restaurante do jantar até a plataforma são cinco minutos.
A serra foi refúgio de verão da corte portuguesa por séculos, e o século XIX transformou o lugar num cenário romântico construído de propósito, com ruínas restauradas, torres decorativas e árvores trazidas de outros continentes. Byron passou por aqui em 1809 e chamou a vila de glorioso Éden num poema que fez a fama do lugar na Inglaterra. A paisagem cultural de Sintra está na lista da UNESCO desde 1995. A vila continua pequena, mora pouca gente no alto e quase tudo fecha cedo fora do verão.
Train to Sintra
Trem suburbano que liga o centro de Lisboa a Sintra em cerca de 40 minutos, saindo da Estação do Rossio.
Pena Palace
Palácio romântico do século XIX no ponto mais alto da serra de Sintra, pintado de amarelo e vermelho, com terraços, torres e um parque enorme.
Castle of the Moors
Muralhas de origem moura no alto da serra de Sintra, que se percorrem a pé de torre em torre.
Tulhas Bar & Restaurant
Restaurante tradicional de Sintra numa antiga tulha, o depósito onde se guardavam os grãos, com salão pequeno e cozinha portuguesa de sempre.
Quinta da Regaleira
Propriedade neomanuelina do início do século XX com palácio, capela, jardins em labirinto, grutas e o Poço Iniciático em espiral.
Incomum by Luís Santos
Bistrô contemporâneo do chef Luís Santos, a poucos passos da estação de Sintra, com menu de degustação e carta forte de vinhos portugueses.
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