Entrar nos Estados Unidos em 2026: o ESTA custa 40,27 dólares e caduca com o passaporte
August 24, 2026 · 10 min read
Uma família portuguesa de quatro pessoas que vá duas semanas aos Estados Unidos paga 161,08 dólares em autorizações de entrada, à volta de 137,69 euros. Ao lado dos bilhetes de avião, é troco.
Só que, para muita gente cá, isto não é a viagem de uma vez na vida que costuma aparecer nos artigos sobre o assunto. Há famílias em Portugal que vão a New Bedford, a Newark ou a Fall River ver os pais, os tios e os primos, e que vão duas vezes por ano, muitas vezes com gente de oitenta anos a bordo. Para essas, o ESTA não é uma taxa. É uma renovação que volta sempre, com uma armadilha lá dentro.
Três encargos mudaram no último ano. Uma quarta coisa, a que levanta mais dúvidas, não aconteceu de todo. Quase todas as páginas sobre isto misturam as duas, e é por isso que as pessoas chegam ao site do consulado sem saber o que devem. Aqui vai a separação, com data em cada linha. Tudo o que se segue foi confrontado com o Federal Register, o DHS e a tabela de emolumentos do Departamento de Estado a 24 de agosto de 2026.
O ESTA acaba quando o passaporte acaba
A autorização vale dois anos a contar da emissão, ou até o passaporte caducar, o que vier primeiro. Está escrito assim, nesta ordem, no 8 CFR 217.5. É a segunda metade da frase que apanha as pessoas.
O passaporte eletrónico português vale cinco anos. O ESTA vale dois. Os dois ciclos não encaixam nunca, e quem renova o passaporte a meio de um ESTA perde o tempo que ainda faltava, porque a autorização fica presa ao documento antigo. Paga-se outra vez num ano em que já se tinha pago.
Para quem atravessa o Atlântico de dez em dez anos, isto não tem importância nenhuma. Para quem vai todos os verões, e leva a mãe de 78 anos que renovou o passaporte em março porque o outro estava a acabar, tem toda. É o tipo de pormenor que ninguém confirma, exatamente porque parece que já está tratado.
Daí a única coisa que vale a pena repetir aqui: pede o ESTA no dia em que compras os bilhetes. Vale dois anos, portanto pedir cedo não custa um cêntimo a mais e tira do caminho o único documento de entrada que ainda pode falhar a uma semana da partida. E se alguém lá de casa trocou de passaporte desde a última ida, essa pessoa precisa de um ESTA novo, por muito que o anterior parecesse estar dentro do prazo.
O que se paga hoje
| Encargo | Quem paga | Valor | Em vigor desde |
|---|---|---|---|
| ESTA | Cidadãos dos 42 países do Visa Waiver Program, Portugal entre eles | 40,27 dólares | 40 dólares desde 30 de setembro de 2025, 40,27 desde 1 de janeiro de 2026 |
| I-94 numa fronteira terrestre | Quem entra por terra e pede o documento | 30 dólares, 6 de taxa terrestre mais 24 | 30 de setembro de 2025 |
| Pedido de visto B1/B2 (MRV) | Quem precisa mesmo de visto de turista | 185 dólares, não reembolsáveis | maio de 2023, sem alteração |
| Taxa de integridade do visto | Quem recebe um visto não imigrante | 250 dólares na emissão | Escrita na lei para o ano fiscal de 2025, cobrança ainda desigual de posto para posto |
| Entrevista B1/B2 acelerada, opcional | Candidatos a B1/B2 em postos selecionados | 750 dólares | 1 de julho de 2026, piloto acaba a 31 de dezembro de 2026 |
Chegas de avião? A taxa do I-94 não te toca. O CBP disse-o com todas as letras quando fixou o valor: aplica-se a quem pede um I-94 num posto de fronteira terrestre. Serve para quem atravessa de carro a partir do Canadá ou do México, e para mais ninguém.
Os 40,27 dólares são três taxas agrafadas umas às outras: 17 dólares de promoção turística, 13 que a lei orçamental de 2025 acrescentou, e 10,27 para cobrir o que custa ao CBP manter o sistema a andar. Esta última parte é cobrada tanto na aprovação como na recusa, ou seja, um pedido recusado fica na mesma em 10,27 dólares, cerca de 8,78 euros, e os outros 30 só saem da conta se a autorização vier mesmo. O DHS publicou a repartição e o acerto de inflação de 27 cêntimos em novembro de 2025.
As contas em euros, para quatro pessoas
Câmbio de referência do Banco Central Europeu a 21 de agosto de 2026: um euro vale 1,1699 dólares.
| Situação | Dólares | Euros |
|---|---|---|
| Quatro ESTA, passaporte português | 161,08 | 137,69 |
| A parte que fica lá se os quatro forem recusados | 41,08 | 35,11 |
| Quatro vistos B1/B2, pedido mais taxa de integridade | 1.740,00 | 1.487,31 |
A terceira linha não é hipótese de manual. Basta haver lá em casa um passaporte brasileiro, cabo-verdiano ou angolano, coisa nada rara em famílias portuguesas, para a conta dessa pessoa saltar dos 34,42 euros do ESTA para 371,83 euros, mais uma ida ao consulado e uma marcação que pode demorar. Mesmo voo, mesmo hotel, as mesmas duas semanas. A diferença é o passaporte, e é quase onze vezes.
Sobre os 250 dólares da taxa de integridade fica aqui uma posição, e discutível: trata esse dinheiro como gasto, não como estacionado. A lei (secção 100007 da HR-1, hoje 8 USC 1806) diz que o Secretário da Segurança Interna "pode conceder" um reembolso, não que tem de o conceder. E o reembolso só se torna possível depois de expirar o prazo de validade do próprio visto, o que num B1/B2 de dez anos quer dizer dez anos, e só se o titular tiver cumprido todas as condições e saído nos cinco dias seguintes ao fim desse prazo. A 24 de agosto de 2026 não existe no Federal Register qualquer regulamentação do Departamento de Estado a executar a taxa, e a página oficial de emolumentos continua sem uma linha para ela. A Alliance for International Exchange noticiou em setembro de 2025 que os quadros consulares não tinham recebido orientações do DHS. Uns postos cobram, outros não. Um reembolso que depende de uma decisão discricionária, de uma década de espera e de um sistema que ninguém construiu não é um depósito. Orça 435 dólares e trata qualquer devolução como surpresa.
O tempo de espera é a outra metade do custo, e não segue a nacionalidade como toda a gente supõe. Segue o posto. A tabela de tempos de espera globais do Departamento de Estado, tal como publicada a 9 de julho de 2026, ia de menos de meio mês em Hanói a 21,5 meses em Toronto. Se houver lá em casa alguém a precisar de visto, o número que interessa é o do posto onde essa pessoa vai pedir, e interessa antes de comprar os voos.
O pedido faz-se em esta.cbp.dhs.gov e em mais lado nenhum
Há sites que aceitam o pedido, cobram bem acima da taxa e depois submetem exatamente o mesmo formulário que tu submeterias de graça. Não é uma teoria: os próprios documentos do CBP descrevem um problema persistente com sites imitadores que cobram valores altos por pedidos que nunca chegam a dar entrada. Antes de escreveres o número do cartão, olha para três coisas.
- O endereço termina em .gov e é exatamente esta.cbp.dhs.gov. Um .com, um .org, um .eu, ou um endereço com "esta" no meio de outras palavras, não é o CBP.
- O total é 40,27 dólares e é cobrado em dólares. Um valor redondo em euros, ou uma taxa de serviço por cima da taxa, é a margem de quem está pelo meio.
- Ninguém tem de rever o formulário por ti. A resposta vem do CBP, e pagar mais a um intermediário não a torna mais rápida nem mais provável.
Escreve o endereço à mão em vez de clicares no primeiro resultado que aparecer na pesquisa. Isto conta a dobrar quando é um filho ou um neto a tratar do ESTA dos pais e dos avós, que é como muita coisa se resolve nestas famílias. Quem trata do pedido de quatro ou cinco pessoas de uma só vez também multiplica o erro por quatro ou cinco.
O que ainda é só proposta
Se vieste aqui saber se tens de entregar cinco anos de redes sociais para pedir um ESTA, a resposta a 24 de agosto de 2026 é não.
O CBP pôs esse requisito num aviso do Federal Register de 10 de dezembro de 2025, ao lado dos números de telefone usados nos últimos cinco anos, dos endereços de e-mail dos últimos dez, de endereços IP e metadados de fotografias, dos nomes, datas e locais de nascimento de familiares, e de dados biométricos. O mesmo aviso propõe desligar o site do ESTA, para que a aplicação móvel passe a ser a única via de pedido. O período de comentários fechou a 9 de fevereiro de 2026. Desde então não saiu nenhum aviso de seguimento, e nada disto é recolhido hoje.
Um ponto desse aviso já está aprovado, por via de uma autorização de emergência: uma fotografia da cara do requerente a acompanhar a página do passaporte, incluindo nos casos em que é uma agência de viagens ou um familiar a submeter o pedido em nome de outra pessoa. Para quem trata dos pedidos da família toda, é o ponto a guardar.
As propostas seguem o seu próprio calendário e esta bem pode chegar a vigorar. Até um aviso dizer o contrário, não preenchas campos que o formulário não te pede.
Antes de comprares os bilhetes
Se o passaporte de alguém lá de casa caduca nos próximos doze meses, renova primeiro e pede o ESTA a seguir. Pela ordem contrária paga-se duas vezes. Se houver em casa um passaporte que não conste da lista do Visa Waiver Program, conta 435 dólares por pessoa, 371,83 euros, e vai ver a marcação do consulado antes de fechares os voos, não depois.
Quem vai aos Estados Unidos por causa de um evento tem a versão mais difícil disto, porque as cidades e as datas só ficam fechadas tarde. O nosso guia sobre planear uma viagem à volta de um torneio trata dos planos multi-cidade que se conseguem refazer a meio, e o próprio Departamento de Estado invocou os Jogos de Los Angeles de 2028 como razão para testar agora a entrevista acelerada de 750 dólares. Do lado de cá existe o espelho disto, porque as regras de fronteira da União Europeia andam noutro calendário, com a sua própria distância entre o que já funciona e o que foi apenas anunciado. E quando os documentos estiverem pagos, a fatura evitável seguinte costuma ser a do telemóvel, com as contas feitas aqui.
As taxas mexem-se. Esta página reflete o Federal Register e o travel.state.gov a 24 de agosto de 2026, e o ESTA é corrigido pela inflação em cada ano fiscal, portanto conta com os cêntimos a mudarem outra vez a 1 de janeiro.