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China sem visto acaba em 31 de dezembro de 2026: o que muda para uma viagem em 2027

August 24, 2026 · 10 min read

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Ilustração editorial em traço chapado de um passaporte aberto sobre o balcão da imigração, sob um portal em arco, com um calendário de parede atrás virando as folhas no ar, em tons de verde-azulado, areia e vermelho desbotado

Você desembarca em Xangai no dia 27 de dezembro de 2026 com passaporte brasileiro e nenhum visto. Isso é legal hoje. A China isenta brasileiros desde 1º de junho de 2025, e o aviso da Embaixada em Brasília diz que a política vale "até às 24h00 (hora de Pequim) do dia 31 de dezembro de 2026". Sua volta sai dia 12 de janeiro. Qual é a sua situação no dia 1º de janeiro?

Nenhum órgão chinês publicou resposta para isso. Em 24 de agosto de 2026 não existe anúncio de prorrogação para 2027, e a data já está esbarrando em reserva de gente real. Para quem sai do Brasil o aperto é maior do que para um europeu, e o motivo é o calendário. As duas janelas em que brasileiro faz viagem longa são as férias de dezembro e janeiro e o Carnaval. As duas caem do outro lado de 31 de dezembro de 2026.

O que vale hoje para um passaporte brasileiro

Antes de qualquer conselho, o estado da coisa. Tudo abaixo foi conferido nas fontes oficiais em 24 de agosto de 2026.

ItemSituação
Isenção de visto para brasileirosVale. Passaporte comum, até 30 dias, escrita para acabar às 24h00 de 31/12/2026, hora de Pequim
Desde quando1º de junho de 2025, no mesmo pacote de Argentina, Chile, Peru e Uruguai
Prorrogação para 2027Não anunciada. Nenhuma data, nenhum rascunho
RússiaJá prorrogada em separado, até 31/12/2027
Isenção brasileira para chinesesVale de 11/05/2026 a 31/12/2026
Trânsito sem visto de 240 horasVale, sem data de fim publicada, e o Brasil está na lista
Hainan, 30 dias sem vistoVale, só dentro da província de Hainan
Entrar em 27/12/2026 e sair em janeiro de 2027Não tratado em nenhum aviso que encontramos

Como o Brasil entrou nessa lista

Ilustração de um passaporte ao lado de um calendário de parede com a última folha soltando na ponta.

O Brasil não é caso antigo aqui. A isenção chegou junto com Argentina, Chile, Peru e Uruguai, num pacote sul-americano anunciado em 15 de maio de 2025 e válido "a partir das 00:00 do dia 1º de junho de 2025 até as 24:00 do dia 31 de maio de 2026", nas palavras do aviso da Embaixada da China em Brasília. Os países nórdicos, que costumam aparecer na mesma reportagem, entraram bem antes, em novembro de 2024.

Em novembro de 2025 a China juntou quase todo mundo na mesma data. O aviso de extensão lista 45 países, o Brasil entre eles, e leva a política "até às 24h00 (hora de Pequim) do dia 31 de dezembro de 2026". A finalidade não mudou desde o começo. Vale para negócios, turismo, visita a familiares ou amigos, intercâmbios e trânsito. Trabalho e estudo continuam pedindo visto, com ou sem isenção.

Repare no adjetivo do aviso: passaporte comum. Passaporte de emergência e passaporte provisório não são passaporte comum, e quem viaja com um deles precisa de visto consular mesmo dentro da janela. O Consulado no Rio de Janeiro publicou o mesmo texto, com a mesma redação.

A novidade brasileira de 2026 é a mão contrária. Desde 11 de maio de 2026 o Brasil dispensa visto de chineses com passaporte comum, também até 31 de dezembro de 2026, conforme a nota conjunta do Itamaraty e do Ministério do Turismo e o anúncio do governo chinês. Guarde essa informação, porque ela volta mais adiante.

O que o texto do aviso resolve, e o que não resolve

Vale ler a frase inteira, sem paráfrase.

Com o objetivo de facilitar o intercâmbio de pessoas entre a China e outros países, a parte chinesa decidiu prorrogar seus acordos de isenção unilateral de visto para 45 países abrangidos pela política, incluindo o Brasil, até às 24h00 (hora de Pequim) do dia 31 de dezembro de 2026. [...] Eles podem permanecer na China por no máximo 30 dias sem visto.

Olhe o que o prazo está medindo. A janela prorroga a política, e a política isenta você no momento de entrar na China. A permanência de 30 dias vem depois, pendurada nessa entrada, e não é uma segunda quantidade que o prazo esteja contando. Na leitura mais direta, o que precisa acontecer antes das 24h00 de 31 de dezembro é o seu carimbo de entrada. Entrou dia 27, seus 30 dias correm até janeiro de 2027 e a virada do ano não mexe neles.

A gente acha que essa leitura está certa. A gente também acha que você não deve apostar uma viagem nela.

Nada publicado fecha a questão. Lemos os avisos de Brasília e do Rio, o comunicado do Ministério das Relações Exteriores chinês e a página consular da Embaixada, e nenhum deles tem uma linha sobre permanência que sobrevive à política. Silêncio não é pista em direção nenhuma.

Precedente também não existe, porque essa fronteira nunca foi alcançada. O programa original vencia em 30 de novembro de 2024 e foi prorrogado no dia 22, oito dias antes. O prazo seguinte, 31 de dezembro de 2025, caiu em 3 de novembro de 2025, quando Mao Ning anunciou a data que vale hoje. Ninguém nunca amanheceu na China no dia em que essa isenção expirou, então nenhum agente de imigração precisou decidir nada. E quem decidiria é uma pessoa no guichê, ou no distrito policial onde a sua hospedagem está registrada, aplicando o texto como ele está escrito naquela semana. Ter razão às 6h em Pudong no dia 2 de janeiro não é uma posição boa de se ocupar.

Férias de verão e Carnaval caem do lado errado da data

Um portão de fronteira de aeroporto visto de frente, com divisória de fila e cabine vazia.

Para um alemão, atravessar a virada do ano na China é caso raro. Para um brasileiro é a viagem padrão. As férias escolares vão de meados de dezembro ao começo de fevereiro, e o roteiro típico de família sai depois do Natal e volta na segunda semana de janeiro. O programa que mais se vende aqui é exatamente o que a política não trata.

O Carnaval de 2027 é pior, e por dois motivos ao mesmo tempo. A terça-feira de Carnaval cai em 9 de fevereiro de 2027, com a segunda em 8. O Ano-Novo Chinês de 2027 cai em 6 de fevereiro. É a mesma semana.

Uma viagem de Carnaval para a China em 2027 acumula problema em cima de problema. A entrada acontece depois do fim escrito da política. A passagem é alta temporada nos dois hemisférios ao mesmo tempo. E você chega no meio do feriado em que o país inteiro viaja junto, quando passagem de trem esgota com semanas de antecedência, diária de hotel sobe e boa parte do comércio fecha por vários dias.

Para o Carnaval de 2027 a nossa recomendação é seca. Tire o visto, não espere anúncio. E olhe as datas de novo, porque sair uma semana depois, chegando com o feriado chinês já passando, muda mais a sua viagem do que qualquer economia na passagem.

A conexão faz parte do problema

Não existe malha decente sem escala entre Brasil e China. Saindo de Guarulhos, os itinerários mais curtos levam por volta de 23h25 até Guangzhou, 25h07 até Pequim e 25h35 até Xangai, com preços a partir de R$ 3.232 na busca do KAYAK, consultada em 24/08/2026. Saindo do Galeão é pior ainda. Boa parte dos cariocas acaba conectando em Guarulhos, em Lisboa ou em Doha antes de começar o trecho asiático de verdade.

Enquanto a isenção vale, isso é só cansaço. Adis Abeba, Doha, Dubai e Istambul são conexão em área internacional e não pedem nada de você, e Madri, Lisboa e Paris são Schengen, onde brasileiro entra sem visto de qualquer forma.

Vira problema no dia em que a isenção cair. O plano B que todo mundo recomenda é o trânsito sem visto de 240 horas, e ele não serve para a viagem brasileira comum. A regra exige passagem confirmada para um terceiro país ou região. Guarulhos, Doha, Xangai, Doha, Guarulhos não qualifica, porque você volta para casa. Guarulhos, Doha, Xangai, Bangcoc qualifica. Se você quiser esse trânsito como rede de proteção, precisa desenhar a viagem com um terceiro destino desde agora e conferir os pontos de entrada na página da Administração Nacional de Imigração da China. Destrinchamos a mecânica quando o Vietnã entrou no esquema de trânsito.

Nossa posição: não atravesse a virada sem visto, e não peça visto ainda

Duas linhas se separam sobre um mapa abstrato, uma segue em frente e a outra para numa marca.

Duas decisões, apontando para lados opostos.

Se a sua estadia entra em 2027, mude alguma coisa. Ou puxa a viagem inteira para dentro de dezembro, ou pede um visto L de turismo e para de pensar no assunto. A assimetria resolve o argumento sozinha. A taxa consular está em R$ 475, cobrada em reais e não indexada ao dólar, com o câmbio PTAX de 21/08/2026 em US$ 1 = R$ 5,1625, mais alguns dias úteis no centro de solicitação. Um mal-entendido num embarque de 5 de janeiro custa a viagem inteira. Tem um detalhe que quase ninguém notou. A página de taxas da Embaixada diz que a redução dessa taxa também vale até 31 de dezembro de 2026. Para o passaporte brasileiro, duas coisas vencem no mesmo dia.

Se a sua viagem está inteira em 2027 e não é no Carnaval, compre a passagem e espere. Não peça visto ainda.

Esperar não é otimismo, é conta. Em 2025, 30,08 milhões de estrangeiros entraram na China pela isenção, 73,1% de todas as entradas de estrangeiros e alta de 49,5% no ano, segundo números que o Escritório Nacional de Estatísticas publicou em 28 de fevereiro de 2026. A China já prorrogou esse programa duas vezes, ampliou de seis países para dezenas e em maio de 2026 fixou 31 de dezembro de 2027 para os russos. E existe um argumento que só vale para nós. O Brasil está isentando chineses até 31 de dezembro de 2026. Derrubar a isenção dos brasileiros em janeiro seria desfazer uma reciprocidade que Brasília assinou há poucos meses, num ano em que os dois governos estão contando turista um do outro.

Marque uma data de decisão em vez de torcer: 1º de dezembro de 2026. As duas prorrogações anteriores já tinham saído a essa altura do ano. Se naquela manhã não houver anúncio, peça o visto e trate um anúncio posterior como um reembolso que você não vai receber.

Planejar com uma data que você não controla

Monte a viagem de um jeito que deixe a data de entrada como a peça mais barata de mexer. Pegue a tarifa que permite remarcar o trecho de ida, mesmo pagando um pouco mais, porque esse pouco a mais é o preço de toda a proteção. E coloque a decisão do visto como item com data no dia 1º de dezembro, não como intenção vaga que você esquece em outubro.

O resto sai disso. Se a entrada muda quatro dias, tudo que vem depois precisa se reorganizar, e é por isso que vale planejar em algo que recalcula em vez de congelar um documento que você depois reescreve na mão.

Falta uma coisa que morde na hora errada. Os apps que você usa e a rede móvel chinesa não se entendem, e o saguão de desembarque é onde o roaming faz o estrago. Compre conexão antes de sair de casa. A conta real de pacote de roaming contra eSIM de viagem tem os números.

A prorrogação provavelmente sai em novembro, como saiu em 2024 e em 2025. Provavelmente não é documento que se mostra na imigração, então bote data na sua decisão e deixe Pequim com a dela.

Vai para a China numa data que encosta em 2027? Monte a viagem no Travolp e deixe a data de entrada como algo que o plano consegue absorver.

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